Cachês milionários são questionados e São João 2026 sofre mudanças em diversas cidades da Bahia

A intensificação da fiscalização sobre os gastos públicos destinados aos festejos juninos na Bahia já começa a provocar impactos diretos na programação de diversas cidades. Após o Ministério Público da Bahia (MPBA), o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) identificarem incompatibilidades nos valores contratados para atrações do São João 2026, prefeituras baianas anunciaram cancelamentos de apresentações e a revisão de contratos firmados com artistas.

Uma das primeiras cidades a anunciar mudanças foi Pojuca, na Região Metropolitana de Salvador. Na última quarta-feira (3), o prefeito Luiz Trinchão comunicou o cancelamento de alguns dos principais shows previstos para o “Arraiá do Juca 2026”, que seria realizado entre os dias 18 e 23 de junho.

Deixaram de integrar a programação nomes consagrados do forró e da música nordestina, como Mastruz com Leite, Netto Brito, Tayrone, Cavaleiros do Forró, Arreio de Ouro e Dudu.

Outro município que entrou no radar dos órgãos de controle foi Irecê, responsável por promover o tradicional “São João do Século”. Segundo o MPBA, foram identificadas diversas irregularidades envolvendo os contratos artísticos, incluindo aumentos considerados excessivos nos cachês, falta de transparência e incompatibilidade dos investimentos com a capacidade financeira do município. Dados divulgados no Painel Nacional de Contratações Públicas (PNCP) apontam que a prefeitura planejava investir cerca de R$ 10,2 milhões em atrações musicais.

Quijingue também teve contratos revisados. A Justiça determinou que a prefeitura suspenda pagamentos de cachês que ultrapassem os parâmetros estabelecidos pelos órgãos de controle. Entre os contratos atingidos está o da dupla Victor e Leo, contratada por R$ 780 mil para se apresentar nos festejos juninos da cidade. A decisão judicial, publicada no final de maio, impede a realização de pagamentos acima da média praticada no ano anterior e exige adequação dos valores contratados.

Com a proximidade das festas, a expectativa é que outras cidades também revisem contratos e adequem seus investimentos para evitar sanções administrativas e judiciais, tornando o São João 2026 um dos mais fiscalizados da história recente da Bahia.

Fonte: Portal A Tarde

Por: Euclidesdacunha.com / Cláudia Xavier